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Nossa defesa e a imunoterapia



Na revista Science de dezembro de 2017, pesquisadores de Nova Iorque publicaram um elegante estudo onde eles demonstram que quanto maior a diversidade de defesa de um indivíduo, melhor a resposta da imunoterapia contra um câncer. Isso foi feito através da pesquisa dos subtipos de HLA de cada indivíduo, dentro de um grupo de 1535 pacientes com câncer, tratados com imunoterapia.

Mas o que é o HLA?
O HLA representa um complexo de genes humanos que codificam as proteínas do MHC (do inglês major histocompatibility complex), proteínas de superfície celular que apresentam peptídeos (ou pedaços de proteínas) para os linfócitos T. Ao longo da evolução da espécie humana, os genes HLA permaneceram como um dos mais variáveis do nosso genoma, o que parece ter levado a uma vantagem de adaptação imunológica.


Onde o HLA é usado na medicina?
O uso mais conhecido da tipagem do HLA ocorre em pacientes candidados a transplantes. A similaridade do subtipo de HLA entre o doador e o receptor reduz o risco de eventos adversos, como a síndrome enxerto-versus-hospedeiro.


O que os autores encontraram?
Em cada indivíduo tratado com a imunoterapia contra o câncer, a presença de uma maior diversidade entre a sequência destes genes herdados do pai e da mãe estava associada a um melhor controle dos tumores. Em outras palavras, a heterogeneidade de subtipos do HLA em cada indivíduo se correlacionou a uma maior sobrevida.

O valor da tipagem do HLA como um fator preditivo positivo de resposta à imunoterapia se soma a outros marcadores já identificados previamente, como a elevada carga mutacional. Isto quer dizer que quanto maior a quantidade de mutações adquiridas no tumor, maior a probabilidade de que este seja adequadamente reconhecido pelo sistema imune, otimizando o resultado do tratamento. Na mesma linha, quanto maior a variabilidade do HLA, maior a probabilidade de que peptídeos do tumor sejam apresentados e gerem uma resposta imune contra o câncer.


Qual o futuro da imunoterapia?
Esta pesquisa representa mais um passo para melhor entender como podemos explorar o sistema imunológico para combater o câncer. Caso estes dados sejam confirmados em outros estudos, é possível que a tipagem do HLA passe a ser uma rotina na seleção de pacientes candidados à imunoterapia. As pesquisas devem avançar mais rápido em tumores mais imunogênicos, como o melanoma e o câncer de pulmão. Além disso, a tipagem do HLA poderá auxiliar a encontrar peptídeos específicos que poderão ser utilizados de forma personalizada no futuro para servir como “vacinas” contra o câncer. Um dia!

Referência: Chowell et al. Science 2017. 10.1126/Science.aaao4572.

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